Como a empresa Catho conseguiu, em apenas 3 dias, que 700 funcionários trabalhassem de maneira remota

Estima-se que a transformação digital vivida pela pandemia produziu um avanço de 5 anos ou mais no caminho do trabalho remoto. “As dificuldades passaram a ser sobre aquilo que não tínhamos controle, o que acontecia dentro da casa de cada um”, nas palavras de Tábhita Medeiros, Senior Manager Operations da Catho, o site brasileiro de classificados de empregos, que nos contou sua experiência.

Tempos atrás, a Catho começava a implementar o trabalho remoto, mas apenas em algumas áreas nas quais parecia ser mais viável. No início, a iniciativa até parecia não ter muito sucesso, pois, mesmo sendo uma possibilidade real, era aproveitada por poucos funcionários. 

Não me animo, porque somente eu faço na minha área” ou “O que vão pensar de mim se eu não estiver no escritório?” eram alguns dos pensamentos que estavam fortemente arraigados nas equipes e que não ajudavam a mudança de mindset necessária. Mesmo assim, a companhia entendia que, pouco a pouco, perceberiam as vantagens até que chegassem a pensar no trabalho remoto como uma modalidade diferente (e positiva) de trabalhar.

Com o passar do tempo, as áreas que podiam praticar home office o realizavam até 3 vezes por semana e a adesão das equipes foi aumentando progressivamente. Antes da pandemia de COVID-19, aproximadamente 80% dos colaboradores já tinham algum tipo de experiência no trabalho remoto e o haviam incorporado como parte de sua normalidade.

Porém, essa transformação ainda estava sendo implementada e requeria aprendizagem contínua, além de acompanhamento mais de perto. Por isso, o processo foi orientado por uma consultora especializada em trabalho remoto.

Há mais de um ano, uma das principais preocupações dos trabalhadores que já se animavam a adotar o home office era demonstrar sua produtividade aos gestores e líderes, chegando a trabalhar de 12 a 14 horas por dia. Apenas a prática, constância, confiança e o tempo permitem derrubar esse medo inicial. Embora algumas pessoas ainda estejam atravessando esse processo.

Um projeto de seis meses realizado em três dias

Focados em alcançar um resultado de sucesso, tanto para os objetivos das equipes como para o negócio, é claro que essa super velocidade só foi possível graças ao compromisso transversal da empresa e o apoio de 100% das equipes de TI, que se mobilizaram para preparar os 700 computadores para cada trabalhador.

Também foi necessário observar a situação de cada indivíduo e entender suas limitações (desde as mais gerais e técnicas, até as específicas e familiares). Foi fundamental checar o acesso à Internet, o espaço físico e o tempo disponível, para pensar em como conseguir que um contigente enorme de trabalhadores passassem a trabalhar em casa e em pleno contexto de distanciamento social.

Entender as particularidades tem sido o objetivo da empresa, e o processo assim foi tratado desta forma: caso a caso. Eles também contam com a colaboração dos trabalhadores, que rapidamente colocaram à disposição todos os seus recursos e sua infraestrutura, como computadores, acesso à internet e suas próprias casas. Abriram suas portas para a empresa.

Mudança de mindset dos líderes

Deixar de controlar cada detalhe do que um colaborador está fazendo e se concentrar na produtividade foi essencial. Isso pode parecer óbvio, mas, na prática, significa uma mudança muito complexa, principalmente quando as equipes estão acostumadas a um modelo de trabalho tradicional, com menos autonomia. Definitivamente, trata-se de uma transformação gigantesca de paradigma, a qual se torna impossível sem uma mudança de mindset dos líderes.

Mudanças nas rotinas de trabalho e nos hábitos diários, que incluíam reuniões de manhã, por exemplo, foram um desafio. Foi necessário entender e revalorizar o “olho no olho”, que é importante, mas também pode ser realizado através de uma webcam.

Pessoas que nunca tinham feito home office pensavam que trabalhar em casa era algo repleto de benefícios e isento de desafios. Porém, tiveram que se adaptar a esta nova realidade, compreendendo que não é uma tarefa tão simples: requer esforço, dedicação e capacitação.

A disciplina é fundamental neste momento. Para chegar ao resultado correto, a empresa criou um grupo de trabalho de facilitadores e pontos de contato com as áreas mais essenciais da empresa: pessoas que estavam, por exemplo, dando assistência aos colaboradores 24 horas por dia para ajudá-los com assuntos de TI.

A Catho já utilizava vários recursos online, como o Google Drive, por exemplo, para compartilhar arquivos na nuvem. O Hangout e o Zoom também se tornaram ferramentas vitais para viabilizar os encontros e reuniões de trabalho em tempos de distanciamento social.

Outra iniciativa importante para a transição, foi contar com um grupo de psicólogos à disposição de todos que resultou em uma excelente ideia, e para a surpresa da empresa, muito acessado.

Disrupção na equipe de Call Center da empresa

Toda a equipe de Call Center da empresa, tanto de chamadas ativas como passivas, passou a trabalhar em casa. Realizar vendas por telefone, trabalhando de maneira remota e alcançando bons resultados, além de poder monitorar os processos, significou uma grande quebra de paradigma. E uma boa comunicação foi a peça chave para que tudo isso se tornasse possível. 

Por isso, a empresa comunicou de maneira clara e transparente qual era a situação, que este se tratava de um momento único na história, fazendo com que todos pudessem ter empatia e entender que estamos todos atravessando o mesmo contexto. Contextualizar o que estamos experimentando permite que as pessoas tenham uma visão compartilhada do que se está vivendo, do que se espera da companhia e de como cada um pode contribuir.

A empresa Catho do passado não voltará a existir

Uma coisa é certa: nada voltará a ser como antes, nem na CATHO nem em nenhuma outra empresa. Provavelmente, muitos funcionários não voltarão a trabalhar no escritório, como faziam antes. O home office chegou para ficar e é uma oportunidade de aprendizagem grande demais para ser desperdiçada. 

As capacitações devem continuar e terão prioridade aquelas focadas no treinamento dos líderes, que precisam entender quais processos fortalecer, que comportamentos fomentar e quais ferramentas utilizar para que todas as equipes possam funcionar como uma engrenagem eficiente.

Uma possibilidade nova se abre, cada vez mais as pessoas serão escolhidas por suas habilidades técnicas e pessoais, e as distâncias geográficas já não serão um obstáculo para trabalhar.

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