Entrevista com Emiliano Zublena, Co-fundador e CTO do dosocials!

Emiliano Zublena é Co-fundador e CTO do dosocials!, uma agência web formada por um grupo interdisciplinar de especialistas, dedicado ao desenvolvimento de aplicativos web, mobile e ao marketing online. O foco de seus serviços está em web apps, mobile apps, SEO, SEM, SMM e campanhas específicas de marketing online. Nesta interessante entrevista, Emiliano nos conta como organizam o trabalho em equipe com os freelancers que contratam e como encaram as diferenças culturais que podem surgir.

Vocês contratam freelancers ou trabalhadores remotos?

Os profissionais que trabalham conosco de forma ocasional, ou em projetos mais esporádicos, são freelancers. O resto da equipe trabalha em uma relação mais estreita, de forma remota.

Quantos empregados o dosocials! tem atualmente e qual porcentagem deles trabalha remotamente ou em regime freelance (e em que áreas)?

Atualmente, a equipe fixa do dosocials! conta com 6 profissionais trabalhando de forma remota: o CEO, meu sócio e co-fundador (Juan Pablo del Bueno, juan@dosocials.com), 2 designers (1 junior e 1 sênior), 2 desenvolvedores (1 junior e 1 sênior) e eu. O resto das equipes que se formam são inteiramente freelance. Cada projeto precisa de uma equipe mínima de 2 desenvolvedores e 1 designer. Em alguns casos é o nosso Developer Senior que coordena e, na maioria dos casos, eu mesmo. Logo, dependendo do tamanho do projeto, podemos precisar de mais gente: ilustradores em 2D e 3D, desenvolvedores, designers, redatores e um enorme etcétera já passaram pelo dosocials!

Por que decidiram terceirizar essas tarefas?

É a melhor solução que vemos para o crescimento. Um dos problemas que podem acontecer, pelo menos do nosso ponto de vista, nas empresas/agências de nosso tipo é que o nível e o volume de clientes cresça mais rápido do que a capacidade de ter empregados. Isso deixa você basicamente com duas opções: pagar mal as pessoas ou buscar investidores. Nós, nesse sentido, buscamos outro caminho: minimizar custos que acreditamos ser desnecessários (como um escritório) e investir esse dinheiro em nossa equipe, nas remunerações que pagamos. Além disso, acreditamos que o estilo de vida freelance no geral leva a uma maior felicidade: a liberdade de não ter horários ou esquemas pré-determinados ou forçados dá a você, sem dúvidas, uma melhor qualidade de vida e esse é um dos pilares essenciais do dosocials!

Vocês trabalham com freelancers permanentes?

Sim. Apesar de toda a equipe fixa ter sido montada antes de chegarmos à Workana, continuamos gerenciando da mesma maneira, contratando freelancers permanentes. Aqui na Workana, da mesma forma, temos vários profissionais com os quais trabalhamos com frequência. No geral, quando nos entendemos bem e no trabalho é satisfatório para ambos, repetimos o mesmo profissional sempre que possível.

Que importância você dá ao trabalho em equipe e como os colaboradores freelance se envolvem neste esquema?

O trabalho em equipe é o mais importante de todos. Um dos nossos ditados de sempre tem sido o “se não é para todos, não serve”. Se uma forma que se propõe, um projeto, um prazo, um pagamento ou um número infinito de incógnitas na equação não bate, estamos fazendo algo errado.

No geral, com os freelancers que trabalhamos pela primeira vez, falamos uma ou duas vezes por Skype ou Hangout. Com essa ligação, sempre conseguimos entender as formas de trabalho que os atraem e as quais possuímos. Outro segredo é sempre estar aberto a sugestões. Há sempre algo para ensinar e sempre algo para aprender!

Como você encara as diferenças culturais que podem surgir ao contratar um freelancer de outra nacionalidade? Você se lembra de alguma situação em particular pela qual você tenha passado? (por diferenças de horário, culturais, de idioma, etc.) O que você recomenda nestes casos?

No que diz respeito à diferença de horário, tentamos evitar trabalhar com freelancers que vivem em horários opostos (quando é dia aqui e noite lá). Quando são algumas horas de diferença, não chega a ser problemático. As diferenças culturais são um pouco mais difíceis. Na América Latina, apesar da fama que temos, os argentinos (e especialmente aqueles que trabalham com TI ou outros serviços on-line) têm uma cultura de trabalho duro, nós trabalhamos duro para conseguir o que queremos, muitas reuniões, muitas horas diante do monitor, muitas horas em trabalho, etc. Em outros lugares, é um pouco mais tranquilo (ou mais difícil do que aqui) e isso, às vezes, dificulta trabalhar quando os momentos são críticos (perto de um prazo, ou erros inesperados, etc.) Nesses casos, tratamos de nos adiantar: se você já teve experiências que levam mais do que X tempo nesses países, pedimos com maior antecedência ou gerenciamos internamente outros prazos ou com atividades semelhantes.

Como vocês dão prosseguimento ao trabalho do dia a dia dos freelancers/equipes remotas?

Nesse sentido, temos a filosofia de que não é preciso fazer pressão pra fechar um trabalho. Buscamos sempre profissionais que sejam apaixonados pelo que fazem, assim como nós, que não podemos descansar até fechar as pendências que temos à nossa frente. Igualmente, e principalmente com freelancers em seu primeiro projeto ou em projetos grandes, gerenciamos com um relatório diário das tarefas realizadas. Apesar de haver centenas de ferramentas, tentamos usar sempre a mais simples que encontramos, que tenha aquilo do que precisamos, nada de mais, nem de menos. O Google Drive + Google Docs têm sido as melhores ferramentas para gerenciar projetos e tarefas em equipes remotas; a possibilidade de comentar um documento tipo Word e editá-lo online simultaneamente é muito cômoda e ajuda a conduzir uma lista de tarefas com muita facilidade. Somado a isso, quase todos têm uma conta @gmail.com com a qual não precisam de qualquer registro extra.

Internamente, para alguns dos softwares que desenvolvemos e vendemos a longo prazo (como nosso CMS dowork!, que é a solução por trás da maioria dos sites e web apps que fazemos), utilizamos SVN para o versionamento e o trabalho de vários developers ao mesmo tempo, e o Mantis para fazer o bugtracking.

Qual o seu segredo para priorizar a confiança em seus colaboradores, acima do controle? Às vezes, é difícil delegar e relaxar…

Bem, no geral, esse é um tema muito complicado e nunca há uma forma de agir que funcione com todos. Aquilo de que “cada pessoa é um universo” é bem certo. Nos primeiros trabalhos, tendemos a estar mais em controle do que na base da confiança, não há outra alternativa. Se o profissional não envia qualquer mensagem durante o dia, fazemos o acompanhamento para ver se está tudo bem, se teve algum progresso ou não, etc. Uma vez que um profissional responde, ganhou a confiança… não precisa se preocupar; esse é o objetivo que temos.

Muito obrigada pela entrevista, Emiliano!

Texto original de Jesica Mraz
Tradução e adaptação de Equipe Freelaholic

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