Sobre este projeto
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Aberto
Contexto Geral do Projeto
Começou a chover de novo. Pelo menos isso. Enquanto o tempo estiver ruim, eu não preciso sair. Não sei quem sancionou essa lei de que meninas de 16 anos são obrigadas a sair todos os dias do final de semana. Se eu estou a fim de ficar em casa, com meus DVDs, meus livros ou simplesmente fazendo nada, a minha família já pergunta se eu estou doente. Pior do que isso. Passam-se cinco minutos e as minhas amigas começam a aparecer ou telefonar, como se o fato de eu ter dito que queria ficar em casa tivesse sido uma espécie de brincadeira. Eu me pergunto: sair para quê? Para ver sempre as mesmas caras? Para brincar de espelho, já que todas as pessoas se vestem absolutamente iguais, como se fosse uma espécie de uniforme social? Engraçado é que essas mesmas pessoas fazem abaixo-assinado na escola para que possamos ir com roupas informais... Se eu fosse a diretora, concordaria. Pelo menos, as meninas não depredariam mais o uniforme cortando as mangas para ficarem com as "asinhas de fora" (essa foi a minha mãe que falou, tive que concordar com ela!), e os meninos parariam de levar suspensão por aparecerem na aula de chinelo. Oh, oh. Tenho que atender ao telefone. Minha mãe está berrando daquele jeito dela que separa e prolonga sílaba por sílaba do meu nome: "Eeees-teee-fââââââ-niaaaaa..." Argh. Como se não bastasse esse nome esquisito que me colocaram, ainda tenho que ouvi-lo gritado! Quantas vezes tenho que repetir? Meu nome é FANI! F-A-N-I. E eu finjo que não é comigo quando me chamam de Estefânia. Eu só vou atender dessa vez para que o resto do mundo que ainda não ouviu o berro da minha mãe não descubra que por trás da Fani existe um nome estranho desses... Obrigada, horário de verão! Normalmente eu não gosto do marco inicial desse horário, já que somos obrigados a adiantar o relógio e com isso ganhamos um dia de apenas vinte e três horas. Mas, desta vez, eu achei pouco e bom. Mais cedo, no telefone, era obviamente a Natália. Eu gosto muito da Natália, a gente é amiga desde criança e tal, mas, sinceramente, de uns tempos pra cá, parece que estamos andando em direções opostas. Claro que, como sempre, ela estava completamente ensandecida de vontade de sair, especialmente por causa do fim de semana prolongado, já que o nosso colégio emendou o feriado de 12 de outubro. Não entendo como ela consegue... A gente foi quarta ao aniversário da Júlia, na quinta ao cinema assistir a O jardineiro fiel (dou três estrelinhas), na sexta fomos ao ensaio da banda do irmão do Rodrigo e, ontem, todas as pessoas de Belo Horizonte que não viajaram (ou seja: a Natália, ο Rodrigo e a Priscila) vieram para cá ver DVD. Caramba! Será que ela não sente falta de ficar em casa fazendo nada, não? Tá, eu não sou antissocial, nem tenho nenhum destes desvios comportamentais de que a Veja vive falando, mas tem hora que sair cansa, né? Enche o saco essa coisa toda de ter que colocar roupa (tomando o cuidado de não repetir amesma por, pelo menos, três semanas), maquiagem, pedir dinheiro para o pai, ouvir sermão sobre os perigos existentes no mundo atual, encontrar as mesmas pessoas que eu vejo todos os dias, ter que ficar fazendo carinha boa para não ter que aturar a todo minuto alguém vindo perguntar o motivo da minha braveza... Ufa. Prefiro sinceramente ficar no meu quarto, meu castelinho encantado, com meus livros, DVDs, computador... E foi isso que eu tentei explicar pela centésima vez para a Natália quando ela tentou me convencer a sair mais essa noite. O Sr. Gil é daqueles pais chatos, liga para o meu pai a cada saída dela para perguntar se eu fui também. Será que ele está achando que nós somos gêmeas siamesas? Que uma só pode ir aonde a outra for? Deixa eu te contar uma coisa, Sr. Gil, não é assim, não, viu? O tempo da escravidão já passou, se você quiser me contratar para ser dama de companhia da sua filha, pode ir abrindo a carteira. Cinquenta reais por hora, porque só assim pra dar conta do pique da Natália! Só que eu acho que, se eu dependesse disso pra ganhar dinheiro, podia desistir. A própria Natália tem argumentos bem mais fortes. Em primeiro lugar, a voz fininha dela... à Primeira vista todo mundo acha delicadinha, mas, depois de uns dez minutos, dá vontade de apertar o "stop", já que é tão aguda que a impressão que passa é que vai furar o nosso ouvido! Como se não bastasse, a Natália é filha única. Isso significa que nunca teve um irmão que se recusasse a emprestar qualquer coisa para ela, e com isso ela não desenvolveu a capacidade de aceitar um não. Como esperado, ela veio com toda a ladainha à qual eu já estou mais do que acostumada: "Amanhã é feriado, a gente pode dormir até tarde...", Ela disse com a tal vozinha que, a cada segundo, afina mais. Eu lembrei a ela que o meu irmão, com certeza, iria aparecer bem cedinho na minha casa junto com os meus três sobrinhos e que a diversão preferida deles é brincar de acordar a Tia Fani. Aí ela disse: "Mas ontem você já ficou na sua casa, todos nós ficamos aí com você vendo DVD, ficar todo dia dentro de casa envelhece...". Eu nem tive tempo de responder, e ela continuou: "Se você não for, eu vou ter que mentir para o meu pai, você vai ter que pedir para o seu pai mentir também, e você não vai querer incentivar toda essa mentirada, vai?". Como se o meu pai fosse mesmo mentir por causa dela. Quando eu neguei e rebati cada um dos argumentos, elacomeçou a chantagem: "Tudo bem, tá? Aposto que, se eu pedisse para a Júlia, ela iria comigo... Mas eu não quero ir com ela, eu prefiro ir com você...". Eu disse a ela que a Júlia tinha viajado para a casa dos avós no interior e que era por esse motivo que ela preferia ir comigo... Aí ela apelou: "Fani! Eu estou tendo uma premonição! Tenho certeza de que o amor da sua vida vai estar lá e você vai perder a chance de conhecê-lo! Depois vai passar a vida inteira solteirona e solitária, só porque não quis sair comigo esta única noite!". Eu lembrei a ela que "esta única noite" foi a mesma coisa que ela falou nas últimas 78 vezes que tentou me convencer a sair, que essa era a 79° vez que ela dizia que esta noite ia ser única e que, se o amor da minha vida estivesse em um bar desses, com certeza ele não seria o amor da minha vida. O verdadeiro amor da minha vida naquele momento deveria estar em casa, lendo, ou quem sabe aproveitando a véspera do feriado para fazer alguma pesquisa importante na internet ou nas enciclopédias que ele deve ter... Quando ela sacou que eu estava falando realmente sério e que não estava a fim de sair, ela resolveu barganhar. "Eu pago o táxi sozinha", ela disse com uma voz desesperada. "Ε Pago também a sua entrada e consumação no bar." Falei que eu não estava à venda e pronto. Foi aí que ela deu a cartada final. Caiu no choro e, chorando, me implorou, daquele jeito que ela deve ensaiar na frente do espelho: "Pooor faaaavooooooor... Eu não pediria se eu não quisesse ir muuuuuitoooo........ O Mateus vai estar lá e vai acabar ficando com aquela horrorosa da Manuela se eu não estiver lá para impedir...... Buuuuu.........". Esse "buuu" é bem o toque final. Acho que ela leu muitas revistinhas da Mônica quando era pequena, mas, pra não dar na cara, ela não fala "buá”, para no "bu", prolonga o "u" e mistura tudo no choro. Depois disso, eu cansei e resolvi ir logo, senão ela ia ficar naquele chororô a noite inteira, e, se o Mateus ficasse mesmo com a Manuela, ela ia me jogar isso na cara pelo resto da vida
Categoria Design e Multimedia
Subcategoria Criar ou editar vídeo
Do que você precisa? Novo vídeo a partir de gravações existentes
Isso é um projeto ou uma posição de trabalho? Um projeto
Disponibilidade requerida Conforme necessário
Eu fornecerei Animações
Duração 5 minutos
Prazo de Entrega: Não estabelecido
Habilidades necessárias